fev 11, 2014

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Acidentes em águas rasas são grande causa de lesões na coluna

tetraplegico

Com o forte calor deste verão, é normal que muitas famílias busquem descansar em pousadas, praias e também no campo. Cachoeiras, represas, clubes e praias ficam tomadas de turistas em busca de descanso. Mas há um risco que pode comprometer para sempre os desavisados. Mergulhar em lugares desconhecidos.

O risco de encontrar águas rasas é real e muitas pessoas sofrem lesões na coluna cervical e medula espinhal ao pular de cabeça ou serem jogadas em brincadeiras em lugares com pouca profundidade.

Quando ocorre fratura de coluna, as chances de lesão medular associada são de aproximadamente 20%. No Brasil, para cada um milhão de habitantes, 40 casos novos de traumatismos da coluna vertebral com comprometimento da medula espinhal são esperados por ano.

tetraplegicoEm 2004 o empresário Romulo Augusto Borges, 48, sofreu uma lesão vertebral após mergulhar em um canal do Rio Araguaia e bater a cabeça em um banco de areia.

“Era pra ser fundo, mas e tinha um banco de areia. No momento que bati a cabeça imobilizou tudo. Parei de mexer e comecei a boiar. Minha sorte que boiei com o rosto pra cima. Então eu respirava, não mexia. O calcanhar ficou no fundo do rio, no bando de areia. Fiquei assim uns 10 minutos até que meus amigos percebessem que tinha alguma coisa de errado”, disse.

Romulo foi ajudado pelos amigos que o imobilizaram utilizando cordas e uma tábua e trazido para Goiânia de carro, uma viagem de 300 km.

“O acidente foi por volta das 14h e cheguei aqui no outro dia às 5h da manhã. Fui uma viagem bem lenta. Na época não tinha nenhuma cidade próxima então não tive ajuda dos bombeiros”.

Apesar da gravidade do acidente e ter que colocar pinos e telas durante a cirurgia, Romulo possui a 3ª, 4ª e 5ª vértebras unidas. Atualmente o empresário consegue levar uma vida normal, mas convive com algumas sequelas.

“Com o tempo o choque medular foi diminuindo e os movimentos regularam. Hoje consigo levar uma vida normal, apesar de ter menos sensibilidade no meu lado esquerdo do corpo. Minha perna esquerda não sinto dor, calor e do lado direito, menos força”.

Existem dois tipos de lesões. A vertebral, onde o tratamento mais indicado é cirúrgico, para alinhar e estabilizar a coluna e descomprimir as estruturas nervosas e a recuperação é com uma terapia de reabilitação. A outra lesão é a medular, onde a reabilitação vai além da física, mas também a psicológica.

No ranking das causas de lesão medular, o mergulho em água rasa ocupa o quarto lugar, no entanto, durante o verão, ele passa a ocupar a segunda posição, em razão de, neste período do ano, tornar-se mais frequente a procura por opções de lazer que têm como cenário, piscinas, cachoeiras, mares, rios e lagos. Paraplegia (paralisia das pernas), tetraplegia (paralisia de braços e pernas) e problemas neurológicos (traumatismo crânio encefálico) são as consequências mais graves dos acidentes que envolvem o mergulho em água rasa.

Segundo o neurocirurgião Dr. Sandoval Inácio Carneiro, o importante é se prevenir e evitar lesões permanentes. “Um mergulho mal calculado pode ser suficiente para deixar uma pessoa paralisada pelo resto de sua vida. O choque da cabeça com uma superfície rasa ou na qual haja pedras ou bancos de areia, decorrente de um salto de uma grande altura, faz com que o pescoço seja dobrado ao mesmo tempo em que o resto do corpo continua a se mover, provocando a fratura de uma das vértebras. Tal fratura pode comprimir a medula espinhal e causar a perda de sensibilidade e de movimentos abaixo do nível atingido”, disse.

As fraturas estão localizadas com mais frequência nos níveis de C5, C6, C7, características de fratura do corpo vertebral e/por lesão disco-ligamentar com deslocamento total ou parcial do canal medular.

Socorro
O socorro do acidentado é fator determinante para o não agravamento do quadro de saúde da vítima, haja vista que a manipulação incorreta do acidentado pode contribuir para a piora do seu estado. Nessas circunstâncias, o mais adequado é aguardar o socorro especializado. De todo modo, como em muitos casos a pessoa ainda está na água, é importante que ela seja imobilizada dentro do próprio rio, piscina etc. Para isso, deve-se improvisar uma prancha, utilizando-se uma tala (de madeira ou outro material qualquer) para evitar o deslocamento do pescoço.

Foi o que não agravou a situação do empresário Romulo, que por já ter conhecimento de resgates, evitou que o problema se agravasse mais. “Orientei meus amigos na hora de me retirar da água e isso foi primordial. Apesar de ter estilhaçado a vértebra, eu não mexi mais depois do acidente. Eu cheguei até a mesa de cirurgia sem nenhum movimento brusco. Com isso minha medula foi preservada”, disse o empresário.
A primeira coisa é observar se a vitima encontra-se com rosto dentro d’água para não falecer afogado, se estiver você deve vira-la em bloco sempre segurando a cabeça junto ao pescoço evitando que agrave a lesão.

A tábua deve ser colocada na região entre as costas e a cabeça e ser apoiada, nos lados, por toalhas ou camisetas dobradas, e uma faixa, que pode ser improvisada com um cinto, (dentre outros materiais) que deve ser passado nas regiões da testa e da cintura da vítima. Em nenhuma hipótese, devem-se testar os movimentos do acidentado, uma vez que se pode aumentar ainda mais a lesão na coluna. Afastado o risco de afogamento, é importante acalmar a vítima até que o socorro chegue.

Veja algumas medidas simples que podem evitar este tipo de acidente:

  • Não mergulhe em locais desconhecidos.
  • Não mergulhe em água turva
  • Informe-se sobre a profundidade do local em que pretende nadar.
  • Faça primeiro mergulho em pé
  • Entre primeiro no local que pretende nadar, sem mergulhar, para conhecer profundidade e objetos do fundo.
  • Evite brincar de empurrar amigos para dentro de lagos, poços, cachoeira ou mar.
  • Não consuma álcool ou drogas.
  • Mergulho em águas rasas e lesão medular: uma abordagem educativa e preventiva.

Portanto, fique atento a essas dicas:

  • Evite mergulhar de ponta (de cabeça) quando não é possível visualizar perfeitamente o fundo ou quando não se sabe a profundidade do local;
  • Tenha certeza que a profundidade é adequada para mergulhar;
  • É melhor dar uma “barrigada” na água, do que uma “cabeçada” no fundo. Mergulhe em uma posição quase paralela à água, evite dar “pontas” onde o corpo entra quase perpendicular na água;
  • Evite mergulhar quando o local parece ser raso;
  • Não mergulhe de lugar muito alto, pois isso faz seu corpo entrar com mais velocidade na água;
  • Um pequeno impacto na cabeça já é suficiente para lesionar a coluna;
  • Mesmo que haja um local onde se sabe que é profundo evite mergulhar, pois é possível que em alguns centímetros de distância pode haver uma pedra, tronco ou mesmo ser mais raso;
  • Não se deixe levar pelas brincadeiras e provocações dos amigos que querem que você mergulhe de ponta.

Fonte: O Popular

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